Bel de Papo com Lilian Pacce

Lilian Pacce dispensa apresentação. A jornalista, escritora, apresentadora e uma das maiores autoridades de moda do Brasil é percursora na discussão da sustentabilidade nesse mercado. Há duas semanas, ela reativou o desafio #1lookporumasemana e movimentou as redes sociais. A ideia de usar a mesma roupa, por 5 dias, fez muita gente refletir sobre o consumo na moda. E foi sobre isso que conversamos. Lilian respondeu com exclusividade a três perguntas.

Lilian Pacce fala sobre sustentabilidade na moda

Beldut: Moda sustentável, muitas vezes, ainda é associada a produtos artesanais ou caros demais. Você acredita que falte informação ou interesse por parte das pessoas em mudar seus hábitos de consumo?

Lilian Pacce: É uma questão cultural. Estamos vivendo uma grande mudança de valores e padrões que, necessariamente, precisa de educação e informação para se realizar da melhor forma possível – e isso leva tempo.

Beldut: Muitas marcas já nascem com o DNA da sustentabilidade, outras começam a entender esta necessidade e estão revendo seus processos. Porém, a grande maioria segue na contramão e faz vista grossa para essa questão. A que você atribuiu essa atitude?

Lilian Pacce: Sempre vai haver espaço para tudo, em qualquer área. Por isso o consumidor, que hoje tem muitas ferramentas para se expressar, vai ser cada vez mais responsável por suas escolhas. Do lado das empresas, as mudanças estão ocorrendo como num turbilhão – alguns têm consciência e começam a rever o modus operandi, outros estão preocupados apenas com sua sobrevivência – o que é um engano. O efeito estufa, o aquecimento global, etc mostram que, cada vez mais, o bem estar tem que ser coletivo e não apenas individual. 

Beldut: Pesquisas revelam que 74% dos consumidores tomam suas decisões de compra influenciados pelas suas redes sociais. Algumas influencers de moda estimulam o consumo mostrando seus #lookdodia que nunca se repetem e usando a expressão must have (citada mais de 10 milhões de vezes no Instagram). Essa atitude acaba gerando um desserviço, mas virou profissão e é como o mercado se comporta. Como equilibrar essa equação?

Lilian Pacce: Não há como lutar contra a corrente. Esse é o zeitgeist de hoje, amanhã será outro. Do meu lado, como jornalista de formação e coração, acho que precisamos nos reinventar sem perder a essência e tentar oferecer algo que vá além do look do dia e que tenha um valor percebido pelo leitor/telespectador/internauta.

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